Traduções esdrúxulas
Que nós copiamos o jeito americano de viver, é fato. Música, comportamento, gostos musicais e até na alimentação, não tão boa assim, copiamos descaradamente. Ou você já viu uma rede grande de venda de sanduíches com sabores tipicamente nacionais?
O que não entendo é o uso de palavras inventadas, baseadas em seus equivalentes em inglês, desnecessariamente.
Segue uma listinha rápida:
- Reinicializar: se já temos uma palavra em bom português iniciar, por que adaptar um “reinitialize” para uma palavra inexistente?
- Startar: essa é clássica. Muita gente diz estar “startando” o projeto. Chega a ser brega, não?
- Printar: não seria imprimir?
- Schedular: gente, agendar é bem melhor, por favor.
- Fake: deliberadamente usado em lugar de falso.
- Chairman: onde estão os gerentes, chefes?
- Feedback: por que não usamos simplesmente retorno?
- Case de sucesso: ah, vá! Não é tão difícil falar caso de sucesso, OK? (ops)
- Turn over: rotatividade, só isso.
- Drink: aperitivo é até mais bonitinho.
- Franchise: franquia é menor, hem?
- Recall: revisão no Brasil virou recall, sabe-se lá porque.
- Coffebreak: onde está nosso bom e velho cafezinho?
E isso fora os verbos oriundos de nomes de sites ou programas, com zipar, tuitar, postar etc ou ainda as palavras com equivalentes mais simpáticos em português.
Com o objetivo de resguardar a língua portuguesa da invasão indiscriminada e desnecessária de expressões estrangeiras, o deputado Raul Carrion (PC do B) propõe o Projeto de Lei 156/2009 – até agora sem votação. A proposição institui a obrigatoriedade da tradução de expressões ou palavras estrangeiras para a língua portuguesa, em todo documento, material informativo, propaganda, publicidade ou meio de comunicação através da palavra escrita no Rio Grande do Sul. A regra, segundo o PL, valerá sempre que houver na língua portuguesa palavra ou expressão equivalente.
Há palavras que não podem ser traduzidas, também não podemos generalizar. Mouse fica estranho se traduzido para rato, como fez Portugal. Self-service já foi completamente incorporado e auto-serviço, agora, seria muito mais estranho. Mas os estrangeirismos ridículos podem muito bem ser evitados.
Será que estamos perdendo nossa língua? Dê uma passeada em qualquer shopping e olhe o nome das lojas e as placas nas vitrines, depois a gente conversa.

